EDITORIAL TRENDS

Ouro imperfeito: a redefinição do belo

O cenário da pandemia da Covid-19 tem causado um repensar coletivo sobre diversos temas. Há uma desconstrução geral de ideias, opiniões, pensamentos e percepções. É praticamente uma mudança do estado físico, onde o sólido da vez para o líquido, afinal, é preciso um derretimento para uma nova construção.

Fazendo uma analogia deste conceito com a joalheria, é como se observássemos o derretimento do ouro, que ao esfriar exibe uma superfície desforme, irregular, não totalmente lisa. E assim estamos vendo as joias ganharem texturas, ondulações, relevos e efeitos retorcido e martelado.

Para essa reconstrução, os consumidores também revisitam sua história – ficando naturalmente mais suscetível ao universo vintage -, e ficam de olho no que é mais sustentável. Com isso, eles estão valorizando a estética mais rústica, com acabamento mais desgastado ou com visual de inacabado. A simples ideia de que algo acabou de ser escavado diretamente do solo, com um aspecto mais bruto, pode ser fascinante.

Todas essas imperfeições, que para os joalheiros podem parecer inaceitáveis, são consideradas belas aos olhos de muitas pessoas que estão ávidas pelo o que é diferente, pelo o que não é óbvio. E essa certa rusticidade está relacionada ao que é mais natural e que, portanto, transmite a sensação de ‘mais verdade’.